
Visita à Ilha de Bororé... um sonho!
Fomos de barco, uma escuna , mais ou menos umas trinta pessoas. Ainda no barco, pudemos apreciar bandos de garças brancas formando desenhos no espaço, o dia estava lindo, formavam desenhos geométricos no céu azul, um espetáculo! Quando avistamos a Ilha, enorme, toda verde, o barco parou e ficamos aguardando um membro da comunidade indígena Krukutu, que veio da Ilha para atracar a escuna.
Logo que pisamos na ilha, eu senti que o espaço e o tempo era diferente naquele lugar... Foi uma visita muito proveitosa, pude observar e aprender conceitos, valores e hábitos que a comunidade indígena ainda conserva, e nós, neste nosso mundo caótico, agitado, estressante, perdemos.
Viver na cidade tem seus privilégios, mas não temos tempo de reunir família, amigos e rezar toda noite, como eles fazem na sua Casa de Reza. Não temos mais o hábito de olhar para a Lua, para as estrelas. Não respeitamos o crescimento natural das plantas, dos seres vivos que nos rodeiam. Não temos tempo de observar como a chuva é linda, é útil, como as plantas ficam felizes com ela. Só sabemos reclamar...
Certa vez assisti uma "ecologista" falar sobre o hábito que temos de fazer estradas, construir casas, avenidas nas margens de um rio, sem respeitar um espaço que é só dele. Que todo rio precisa do mesmo espaço, a mesma largura dele, de cada lado, pois quando chove ele vai ocupar as duas margens com seu excesso de água. Invadimos o espaço do rio, reclamamos das enchentes, poluimos rios e mares. Precisamos aprender com nossos irmãos Guaranis a usufruir da natureza, sem possuí-la, sem destrui-la, é de todos, precisamos amar e respeitar nossa Mãe Terra.
Uma cena bonita que guardei... os meninos da comunidade nadando, brincando livres, alegres na represa, como deveriam brincar todas as crianças. E uma outra também bonita e inteligente: um açude de águas limpas, criação de peixes para consumo e ninguém nadando. Preservam o açude limpo, cheio de vida e todos respeitam.
Infelizmente não tivemos contato com as meninas, como brincam, seus brinquedos ...não estavam, tinham ido a uma estação de televisão dançar, divulgar sua cultura. Espero retornar á Ilha em cinco de abril próximo, para poder ter contato também com as meninas da comunidade e as mulheres que provavelmente acompanharam as meninas.
Pude conversar com o Cacique, com o Pajé e apesar da aculturação, inevitável, em contato com a nossa cultura; com televisão, computador, celular, eles lutam bravamente para cultivar a própria cultura, preservam suas crenças, as danças, os rituais, os costumes e principalmente a mitologia, que é passada através de histórias. Li um livro "Verá" de Olívio Jekupé, habitante da Ilha, onde ele conta de maneira didática a mitologia Guarani.
Há muito o que se falar sobre a Ilha e a comunidade indígena, mas muito melhor é ver de perto...
Se puderem, visitem uma comunidade indígena.
Marly Rondan
Nossa doce poetisa,
ResponderExcluirAgradecemos seu carinho nos prestigiando em nossas atividades, engrandecendo nossas experiencias com sua sensibilidade.
De fato, Ilha do Bororé é um sonho!
Vamos juntar a turma para retorno á Ilha em 05 de abril.
Abraço carinhoso,
Lilia Blue Moon Sioux