
Saudações Xamânicas,
Mais uma linda poesia de Artur de Távola.
O tema ? O amor, sempre o amor!
Reverenciando nesta semana o amor maduro, o amor tântrico, aquele que não tem pressa, que valoriza o agora e aprendeu que o “sentir” é a grande sacada para transcender e compreender a unicidade.
Que cada um de vocês seja cada vez mais amado e feliz, abraços nossos.
Jaya Ahow!
Lilia Blue Moon Sioux
O Amor Maduro
O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as usências significantes.
O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem, o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e do cheiro do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da percepção, o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e de espírito.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.
Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue. Não percebe, recebe. Não exige, oferece. Não pergunta, adivinha. Existe, para fazer feliz.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão, basta-se com o todo do pouco.
Não precisa e nem quer nada do muito. Está relacionado com a vida e por isso mesmo é incompleto, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério. É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.
Luminoso, sem ofuscar. Suave, mas definido. Discreto, mas certo.
_____________________Lilia Blue Moon Sioux escreve neste blog toda quarta-feira.
Adorei, maravilhoso mesmo.
ResponderExcluirabraço, Andréa
Lindo Lilinha, parabéns.
ResponderExcluirEstou tentando aprender a forma mágica com que vê as coisas, sorte que tenho uma boa mestra.
beijos, Ricardo.
Poema lindo e verdadeiro.
ResponderExcluirDe fato, chega um tempo em que nos focamos somente nas coisas profundas e verdadeiras.
Bom quando conseguimos enxergar isso e dar valor ao que interessa.
Gostei, valeu.
beijo
Pedro
Ai Lí, esse poema é lindo! Amei...vou guardar com carinho!
ResponderExcluirBeijos
Ká
RELAÇÕES SAGRADAS
ResponderExcluirSó perduram no tempo as coisas
que não foram do tempo
......
Do Sul, do Este, do Oeste, do Norte,
convergem os caminhos
que me trouxeram ao meu centro secreto.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites, cada ínfimo instante do ontem.
Agora posso esquecer todas essas coisas.
Chego ao meu centro.
Já saberei quem Sou.
Jorge Luís Borges
Adorei, como sempre, tudo zen, profundo e suave.
ResponderExcluirTudo o que desejamos incorporar em nosso dia a dia, apesar das atribulações.
Um pouco de paz, aconchego, confiança e integridade nas relações.
Beijos, parabéns ao blog.
Gerson
Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão. paixões tristes.
ResponderExcluirAlgumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido: a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós, preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor, é minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve, o amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.
MIGUEL_COSTA ॐ FILHO DO VENTO.
O amor: eu não o conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro.
ResponderExcluirA vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
Paulinho Moska
MIGUEL_COSTA ॐ FILHO DO VENTO
Adorei o blog....parabéns!bjinho
ResponderExcluirBruna Uchôa