OS ARQUÉTIPO QUE DOMINAM NOSSAS VIDAS...
Para Carl Jung, arquétipos são padrões permanentes e profundos da psique humana, eles aparecerem e desaparecem em diferentes momentos de nossa vida. Muitos psicanalistas comparam esses arquétipos com o panteon greco-romano: o arquétipo de Hélio-Apolo, o SOL, é um arquétipo que inspira alegria, criatividade, é um arquétipo que estimula a prosperidade e a generosidade. Outro arquétipo muito comum é o de Hécate , Deusa da Lua, é quase um aviso para que não saia, é um período de reclusão, a Lua só vive à noite, que oferece perigos desconhecidos...Quando este arquétipo está dominando a pessoa, ela fica com muitos medos, a maioria imaginários. Recomenda-se que faça programas alegres, assista filmes leves, engraçados ou fique realmente reclusa, até que mude de arquétipo.
Segundo os estudos de Carol G. Pearson, os arquétipos são bastante numerosos, mas alguns deles são mais comuns, facilmente reconhecidos em nós mesmos e em nossos amigos. Somos heróis numa caminhada, onde encontramos perigos, enfrentamos dragões, procuramos tesouros
escondidos, que nada mais são do que a busca de NÓS MESMOS, quem realmente somos, nossa missão nessa jornada, “o conhecimento interior”. Nesse caminho solitário seis arquétipos principais, orientam nossa vida: o Inocente, o Órfão, o Nômade, o Guerreiro, o Mártir, e o Mago.
Em muitos momentos de nossa vida somos o herói inocente: o mundo e as pessoas existem para nos servir, nos proteger e nos fazer felizes, nunca somos responsáveis pelas nossas desgraças, sempre haverá alguém a culpar, uma prorrogação do estado infantil. Nessa fase não conseguimos entender que fomos nós que criamos aquela situação e o desconforto que estamos vivendo é apenas consequência de nossos próprios atos. Quem joga lixo a sua volta vai ter ratos invadindo suas casas e trazendo doenças, o lixo vai entupir os bueiros, os rios e as enchentes virão destruindo seus bens. Enquanto a pessoa estiver “vestindo” esse arquétipo, ela não conseguirá ver a realidade.
O Órfão, esse arquétipo é quando temos uma realidade interior, somos idealistas e, quase nunca, a realidade exterior “bate” com a nossa, então nos revoltamos contra nossa família, nosso trabalho, com a sociedade, e até com Deus, que acreditamos estar sempre nos punindo, nos castigando. Este estágio da vida é perigoso, pode levar às drogas, à bebida, o herói Órfão geralmente precisa de ajuda externa para sair desse arquétipo. O herói órfão procura sempre um “salvador”, pode ser um grande amor, ganhar na loteria, um emprego maravilhoso!
O Nômade é um solitário, mora sozinho, viaja sozinho, ou...é perfeccionista, a mãe perfeita,
o patrão perfeito, interpreta o papel que os outros querem que ele seja. Os “ hippies “ foram um exemplo social desse arquétipo. O Órfão busca um salvador, o Nômade busca sempre um “vilão”
culpado pela sua solidão. Quem se sente aprisionado, por exemplo, pelo casamento, só terá coragem de pedir divórcio, se o cônjuge fizer algo e puder ser transformado num “vilão”. Mas...ninguém fica muito tempo nesse estágio, pois o ser humano é um animal social e a própria solidão o leva de volta à comunidade. Uma coisa é certa, viver só, durante um período, leva o indivíduo a descobrir
melhor quem ele é, suas capacidades, gera criatividade, produtividade, precisamos passar por esse estágio. Aliás precisamos de um pouco de solidão, todos os dias, para mantermos nossa lucidez.
O Guerreiro, é um estágio, digamos saudável, pois dá a capacidade de autodefesa, de preservação da vida, dos direitos, capacidade de visualizar limites, respeitar o espaço do próximo, um salvador do mundo... Tem ideais, luta por eles e sempre acredita estar fazendo o bem. Nesse estágio, aprendemos a confiar em nosso poder pessoal, em nossos ideais, lutar por eles e por esse estágio estaremos mais livres, confiantes e capazes de continuar nossa jornada e nos conhecendo cada vez mais.
O Mártir, acredita que o sofrimento é uma forma de redenção, só através do sofrimento chega-se à espiritualidade. Tudo tem que doer... Quando pede algo a Deus pratica algum tipo de autoflagelo,
durante um ano não vou comer maçã, um sacrifício para Deus, no amor; tipo Romeu e Julieta, morrer para provar o amor, a vida da maioria dos Santos da Igreja Católica é um bom exemplo do herói Mártir. Existe uma diferença em você sacrificar uma noite de sono pelo seu filho doente, com você sacrificar sua vida toda, deixando sua profissão, que lhe dava muita satisfação, só para ser mãe em tempo integral para seu filho... O sacrifício apropriado traz ao Mártir um conhecimento profundo de si mesmo, sua capacidade de ajudar, de se doar, mas o sacrifício impróprio, exagerado , ao contrário o faz perder o contato consigo mesmo, sua intimidade, seu EU, passa a viver pelo outro, no outro. Acaba por doar a própria vida, que é sua única recompensa nessa jornada, pelo bem da doação. Esse estágio não pode durar muito tempo, precisa de ajuda externa, psicoterapia, para voltar ao estágio do guerreiro ou passar ao estágio do Mago.
O arquétipo do Mago - só vestimos esse arquétipo quando chegamos a conclusão que somos responsáveis por nós mesmos, que somos alquimistas, o Universo não é estático, somos cocriadores do Universo. O Mago não vive para reclamar, para culpar alguém pelos seus infortúnios, ele já ultrapassou esses estágios... Enquanto nesse estágio, consideramos o Universo nosso LAR, nossa casa, recuperamos a alegria de viver, acreditamos que temos tudo o que merecemos e merecemos ser felizes. Quando Magos, gostamos do que somos, não ocultamos mais nossa natureza, não queremos ser “como o outro”, somos e conhecemos nós mesmos, fazemos o trabalho que nos realiza, que nos faz felizes. O Guerreiro acredita que precisa forçar as pessoas a caminharem no seu caminho, o Mago pode mostrar o melhor caminho, mas permite que cada um
faça sua opção. Ele sabe que o mundo pode ser bem melhor, mais humano, mais carinhoso, mas sabe também que cada um está num estágio da vida e se não aprendeu ainda as lições de todos os arquétipos, não poderá vivenciar o estágio desse arquétipo, o arquétipo do Mago.
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