Morar bem é dormir onde a poluição não impeça de ver as estrelas e acordar onde o barulho não impeça de ouvir os passarinhos.
Morar bem é viver onde a sensação de medo e insegurança apenas surjam quando você quiser ver um filminho de suspense.
Morar bem é ter uma cozinha maior do que o quarto do casal e ter um quarto de casal maior do que a sala de televisão.
Morar bem é ter muros baixos para conversar com os vizinhos e para ver as crianças jogando bola na rua.
Morar bem é ter um quintal que abrigue seus sonhos de infância e cultive a fantasia das crianças por vir.
Morar bem é ter várias casas na sua casa: casa na árvore, casa do cachorro e casa de João-de-barro.
Morar bem é ter uma horta com cebolinha, couve, taioba e beterraba, atrás de um pomar com laranja, limão, pêssego e mamão, ao lado de uma jardineira com rosas, girassóis e azaleias.
Morar bem é ter sua própria arca de Noé, dividindo seu espaço com galinhas, passarinhos, cachorro, coelhos, peixinhos e até uma tartaruga, todos batizados.
Morar bem é plantar uma jabuticabeira com seu pai no quintal quando criança, e, vinte anos depois, colher as jabuticabas com seu filho.
Morar bem é não ter muitas coisas para se preocupar em quebrar, sujar ou estragar.
Morar bem é ter em casa piano, flauta, violão e alguém para tocá-los.
Morar bem é ter em casa tecnologias novas a serviço de valores antigos.
Morar bem é, para mim, sobretudo, viver em uma casa que tenha na argamassa seu suor passado, na pintura sua alegria presente, e espaços vazios para um futuro bem-vindo.
professor universitário
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